segunda-feira, 20 de agosto de 2012


As vezes nem reparamos no que nos rodeia, é fantástico a forma como praticamente só reparamos nas pessoas quando nos encontramos em condições semelhantes. Provavelmente durante toda a minha vida passei por montes de pessoas em cadeira de rodas, mas a verdade é que nunca reparei, só agora reparo como existem milhões de heróis nas ruas de Portugal.

Porque heróis? Porque durante toda a minha vida aprendi que herói, é aquele que luta pela vida, e é fantástico a forma como diferentes pessoas, se adaptam a diferentes limitações e decidem lutar pela vida mesmo que a mudança seja de tal forma drástica que mude tudo. Infelizmente hoje em dia herói é aquele que corre atrás de uma bola e até tem jeito, herói é aquele que leva o nosso país ao mundo… enquanto esses falsos heróis ganham um abuso por mês que dariam para ajudar montes de gente , os verdadeiros heróis pouco têm para ter uma vida normal, cada vez têm menos direitos e cada vez mais deixam de poder ter uma vida comoda, com poucas possibilidades de empregar o dinheiro, uma vida onde as poucas posses são completamente gastas em bens necessários e essenciais.

É o mundo que nos rodeia, uns nadam em dinheiro outros procuram-no e não encontram, não é apenas o dinheiro que traz felicidade mas a verdade é que ajuda muito, sem ele é impossível ter uma vida minimamente estável.

O mundo não está em crise, o mundo simplesmente age como se o dinheiro nunca acabace e acabam por distribuir tudo a uns e nada a outros, se os jogadores de futebol focem tão humanos como dizem ser, não tinham milhões de carros de luxo, tinham dado melhores condições a quem realmente precisa.

És mais feliz porque tens um grande carro ou uns grandes carros? Eu sou feliz por estar viva por ainda ter uma cadeira para me suportar, se eu gosto? Não eu não gosto, mas não é uma questão de escolha, é uma questão de vida, aconteceu e eu ou luto e enfrento a minha limitação, ou me calo e deixo que o mundo pense que somos uns inválidos que não sabem nada apenas rodam, não somos robôs, somos pessoas iguais ás outras, apenas temos diferentes formas de presença.




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